Adaptação ao Regulamento de Desmatamento da UE: Um Caminho para a Produção Sustentável de Café
- Rede de Agricultura Sustentável

- 13 de março de 2025
- 3 min de leitura
A indústria cafeeira enfrenta uma transformação significativa com a implementação do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR 1115). Esta mudança exige que produtores, exportadores e partes interessadas adotem novas práticas para garantir a conformidade. Em um webinar recente organizado pela Fundación Natura e pela Rede de Agricultura Sustentável (SAN), especialistas e produtores discutiram os desafios e oportunidades do café livre de desmatamento. Eis o que aprendemos.
Compreendendo o Regulamento da UE sobre Desmatamento (EUDR 1115)
A União Europeia promulgou a EUDR 1115 em maio de 2023 para impedir a comercialização de produtos ligados ao desmatamento e à degradação da terra. O café é um dos principais produtos afetados por este regulamento. Os produtores que exportam para a UE devem apresentar prova de que o seu café não foi cultivado em terras desmatadas após dezembro de 2020. A não conformidade pode resultar em acesso restrito ao mercado.
A importância do monitoramento e da rastreabilidade
O monitoramento e a rastreabilidade são cruciais para a conformidade. De acordo com Julián Gómez, Gerente de TI da SAN, a conformidade vai além das coordenadas geográficas —requer monitoramento contínuo dos riscos sociais, ambientais e econômicos.
As principais estratégias incluem:
Monitoramento orientado pela comunidade: Os agricultores locais recolhem e gerem ativamente dados para garantir a transparência.
Rastreamento habilitado por tecnologia: As ferramentas digitais integram a recolha de dados de campo com imagens de satélite e análise de risco.
Registros agrícolas precisos: Os produtores devem manter documentação detalhada para apoiar os seus esforços de conformidade.
Learn more about SAN's efforts in community-driven monitoring through our CMAS project here
Por que a conformidade é importante para os produtores
César Echeverri, agrônomo especializado em agricultura sustentável, enfatizou que o cumprimento não é apenas uma obrigação—é uma oportunidade. Os produtores que se adaptarem rapidamente terão uma vantagem competitiva, ganhando melhor acesso ao mercado, maior confiança na cadeia de abastecimento e prémios mais elevados para o café sustentável.
Os benefícios incluem:
Proteção ambiental: Práticas sustentáveis ajudam a mitigar os riscos climáticos, prevenir a erosão do solo e proteger os recursos hídricos.
Responsabilidade social: Melhores condições de trabalho e salários justos fortalecem toda a comunidade cafeeira.
Estabilidade económica: A diferenciação do mercado através da conformidade garante rentabilidade a longo prazo.
Um estudo de caso: a jornada da ASOPEP rumo à conformidade
Camilo Enciso Suárez, Gerente da ASOPEP (Associação de Produtores Ecológicos de Planadas), compartilhou sua experiência de adaptação à EUDR:
Aproveitar as certificações existentes (Comércio Justo, orgânicas) para se alinhar com os regulamentos da UE.
Parceria com organizações como Fundación Natura e SAN para implementar ferramentas de monitoramento digital.
Investir na educação de jovens para conscientizar sobre sustentabilidade.
Conclusão principal: Os produtores já envolvidos em iniciativas de sustentabilidade têm mais facilidade em cumprir os novos regulamentos.
Estratégias de Avaliação e Mitigação de Riscos
César Echeverri descreveu como os produtores podem identificar e mitigar os riscos uma matriz de risco estruturada, que inclui:
Riscos ambientais: Monitoramento da degradação do solo, poluição da água e ameaças de desmatamento.
Riscos sociais: Garantir práticas trabalhistas justas e respeitar os direitos à terra.
Riscos económicos: Fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos e garantir acesso justo ao mercado.
A UE validará a conformidade através de monitoramento por satélite (Programa Copernicus) e exigir que os produtores forneçam relatórios detalhados, tornando essencial a gestão proativa dos riscos.

Como os produtores podem se preparar?
Implementar sistemas de monitoramento digital: Ferramentas como SAN's IHUB fornecer rastreamento de conformidade acessível.
Junte-se às associações de produtores: A colaboração reduz custos e fortalece os esforços de advocacia.
Mantenha-se informado: Compreender a evolução das regulamentações garante o acesso contínuo ao mercado.
Conclusão: Um apelo à ação para a sustentabilidade do café
A EUDR 1115 apresenta desafios, mas também oferece uma oportunidade para redefinir a produção de café. Produtores, organizações e governos devem colaborar para construir uma indústria cafeeira resiliente, sustentável e competitiva.
As César Echeverri concluded: “Devemos abraçar estas mudanças como um passo em direção à sustentabilidade. Se trabalharmos juntos, podemos garantir um café que não seja apenas delicioso, mas também responsável.”



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